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Voltei, mas fiquei lá!

Posted By : Maria Luís/ 1185 0


No mês de Agosto foi de quem labuta fortemente por outras terras. É o mês de matar as saudades, é o mês de as por a zero!

Só quem andou lá por fora sabe o que este retorno significa.

Eu lá andei. Não fiz uma emigração dura, mas também não fiz uma emigração relaxada. Mas fiz, sem duvida, uma emigração fantástica.

De certo modo a vida encarregou-se de me enviar para lá.

Jamais me imaginei a viver num sítio assim. Todos me davam o prazo de 3 meses até voltar com o rabinho entre as pernas.

É longe, é diferente, tem outra cor, tem outro calor. É São Tomé e Príncipe.

Como na maior parte das famílias, também eu tenho tios e tias que andaram por terras de África num outro tempo.

Confesso que as histórias sempre me fascinaram, mas nunca entendi a intensidade das palavras até ser eu própria a experienciá-las!

África dá-nos duas opções: ou se ama, ou se odeia.

Não se gosta mais ou menos, não se fica porque tem que ser.

A primeira vez que fui, foi de férias, já sabia que aquele era o meu destino num futuro próximo.

O primeiro impacto foi horrível. Um calor insuportável, o aeroporto era o caos! Havia dezenas e dezenas de miúdos que já me chamavam, que já sabiam quem eu era. Como é que era possível? Fui batizada ali mesmo de “Maria, a branca mulhé di Miguel”.

E pela cabeça só me passava “Ó meu Deus que eu não fui feita para isto. Bem me avisaram que vir para aqui com um bebé de 9 meses não era boa ideia…”

Nesse dia à noite decidi que regressava no próximo avião para Portugal. Mal eu sabia que só havia voo daí a uma semana!!

O calor continuava insuportável, não baixava nem de noite e, ouro sobre azul, faltava a luz de 5 em 5 minutos. Era a loucura.

Depois de descansar de uma viagem de 6 horas feita durante a noite, lá resolvi dar uma oportunidade à cidade.

Durante as três semanas que lá estive foi indiscutível que o amor por aquela gente e por aquela terra nasceu e cresceu. Regressei a Portugal e passados uns meses fiz as malas de vez e fui!

Não é fácil viver em São Tomé. A ideia que tive foi que andei 50 anos para trás sem sequer ter 40 de idade.

O ritmo de vida é feito de leve-leve que é como quem diz devagar, devagarinho.

 

Todas as faltas que existem, quer sejam lojas, boas farmácias ou só o simples facto de poder beber água da torneira, são colmatadas com a simpatia desmesurada do nosso vizinho, com as músicas que nos fazem bater o pé a qualquer momento, com os cheiros e sabores que se vão entranhando.

São roças sem fim cheias da nossa história, é o cheiro do café, a água de coco que sabe tão bem, é provar as iguarias da terra sob o olhar atento do amigo de lá, que se ri espontaneamente com a nossa reação.

São todas estas coisas boas que nos ajudam a superar a degradação do país que parou após a independência. Ruas esburacadas, estradas que se foram recompondo ao longo dos tempos, as roças infindáveis, deslumbrantes, cheias de encanto e que estão por um fio. As faltas de luz constantes, as baratas, osgas, formigas monstruosas… enfim um sem número de coisas!

Mas depois penso, se esta gente é tão feliz, porque é que eu hei-de andar aqui inconformada?

Ouvi muitas histórias boas sobre o tempo dos portugueses, muita gente me dizia que no tempo do branco é que era. Falei com muita gente mais velha. Umas vezes orgulhei-me outras, enrolei-me de vergonha. Nunca fui discriminada, pelo contrário sempre fui muito acarinhada. Aprendi muito, aprendi a viver sem o consumismo por exemplo. Fiz amigos para a vida que se riam de quando me coçava por causa dos mosquitos e ficava com a pele vermelha.

Em São Tomé andamos seguros e sem medo a qualquer hora do dia ou da noite!

De amanhã é a altura ideal para ir à fruta. As senhoras da fruta já me conhecem e com aquele sotaque aberto e a carregar nos “erres”, chamam-me: “Márrrrriiiaaaa, Ámiga, vem, tem do maracujá qui você gosta” E tinham sempre, as malandras sabiam que eu não resistia!

Depois lá apareciam os miúdos a pedirem umas dobras para sei-lá-para-quê.

O peixe aparece-nos à porta de casa, a fruta pão apanhamos no jardim e lá se faz uma refeição de bradar aos céus!

Infelizmente há coisas que não conseguimos contornar.

Se São Tomé é dos sítios melhores para se criar um filho, é também o sítio que me fez andar com o coração nas mãos várias vezes. Infelizmente o sistema de saúde é caótico. E foi isso que me fez ponderar o regresso.

O meu filho veio rijo que nem um pêro! Comeu muita terra, andou sempre de pé no chão, durante dois anos, entre idas e vindas, foi 100% Santomense.

Regressei também cheia de saudades para matar. Das primeiras coisas que fiz foi pegar no carro e ir pela autoestrada, até Coimbra a cortar o céu azul que só nós temos.

Voltei, mas vos garanto que parte do meu coração ficou lá!!

Maria Luís – Autora do blog Hortelã Pimenta www.hortelapimentaoblog.blogspot.pt | www.facebook.com/hortpim

Texto escrito para a plataforma Bairradahttps://www.facebook.com/bairrada.portugal | http://bairrada.com.pt/shop/index.php

«Amor Maior»: Atores regressam a São Tomé e Príncipe para novas gravações




Estão já agendadas novas gravações de Amor Maior em São Tomé e Príncipe e a nossa representante em São Tomé, Marta Freitas, vai colaborar mais uma vez com a produção local da novela.


Sara Matos, José Fidalgo e, entre outros, Inês Castel-Branco foram os atores que, durante duas semanas, gravaram algumas cenas da novela Amor Maior, em São Tomé e Príncipe. As imagens paradisíacas do continente africano acompanharam os episódios iniciais da história assinada por Inês Gomes.

Agora, meses depois, a SIC já tem planeada uma nova agenda de gravações no estrangeiro. Ainda sem nomes garantidos, o elenco de Amor Maior regressará a São Tomé e Príncipe para novas gravações já no próximo ano.

A novela “Amor Maior”, nova aposta da SIC, também passa por São Tomé e Príncipe. Seis dos atores do elenco estiveram duas semanas naquele arquipélago africano e mostraram-se encantados com a população e as paisagens locais.

Veja acima alguns dos melhores momentos passados pelos atores Sara Matos, José Fidalgo, João Jesus, Matamba Joaquim, Rita Loureiro e Inês Castel-Branco no país africano, onde contracenaram em paisagens naturais e puderam conviver com os são-tomenses.

Com produção da SP Televisão, a nova ficção da estação de Carnaxide tem estreia marcada para setembro.

segundo mês de exibição, a novela mais vista de Portugal. Em média, mais de um milhão e 250 mil telespectadores acompanha diariamente a história protagonizada por José Fidalgo e Sara Matos.




Texto adaptado: Televisão | Jornal Notícias